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segunda-feira, 3 de junho de 2013

domingo, 16 de setembro de 2012












Recomponho a melodia das roupas que despi

ensaio em breves e semi-breves

o ritmo que o chão ecoa sob as sedas

as cambraias o algodão doce

suave e triste do abandono

a nudez é uma sede de esperança

que se perdeu

e no regresso ao futuro

o rendilhado que o passado amassa

mói-me o presente como o trigo

que há-de ser pão ázimo

da fome que não escondo

.

a musica dos sentidos

é um céu turvo de pássaros que chegam


a anunciar uma primavera que não verei.



Foto Net

sábado, 15 de setembro de 2012








Sossegadamente segura e neutra 

cinza de penumbra a lembrar a luz

assim os dias em que a alma se quer nua

e o coração já não aspira nem demite

nenhum sonho ou desejo

em livro de horas desusado

é a memória que se segue linha a linha

na ponta do dedo que a cegueira ordena

e a vontade sem vontade aceita

clara e lúcida assunção da vida

a olhar a cor por fora do vazio

na mão que cerrada a cortina

repousa ainda tensa e pronta

sobre as páginas em branco do resgate.


Foto de Vernon Trent

sexta-feira, 14 de setembro de 2012










Deixa que te diga

não estás só


todas as manhãs

acordas e sentes

o calor do lado vazio

o aroma nos lençóis lavados

da sombra  dos cheiros

que te acendem a pele

o orvalho dos olhos

a molhar as horas

que não queres esquecer

o jardim de delicias

onde cantava o pássaro

no arder das madrugadas


digo-te

não estás só


enquanto saboreares

o ácido suor do corpo nu

nos lábios ressequidos

e gritares à noite

a inominável vontade

de te perderes outra vez


não estás só


na memória dos sentidos

és ainda e sempre

noiva de um sonho

 que ficou.




Foto Net

segunda-feira, 28 de novembro de 2011







se não disser nada

mastigar na voz as laranjas amargas

para cerrar os olhos das papoilas e

perder os dedos um a um nas tuas mãos 

ainda assim será 

doce o sumo do teu nome

quente o olhar no mapa do teu corpo e

chaga e seda e manto o toque da tua pele


se não disser nada 

ainda assim saberás que cheguei 

e me  perdi.



segunda-feira, 25 de abril de 2011




Sossegadamente segura e neutra
cinza de penumbra a lembrar a luz
assim os dias em que a alma se quer nua
e o coração já não aspira nem demite
nenhum sonho ou desejo
em livro de horas desusado
é a memória que se segue linha a linha
na ponta do dedo que a cegueira ordena
e a vontade sem vontade aceita
clara e lúcida assunção da vida
a olhar a cor por fora do vazio
mão que cerrada a cortina
repousa ainda tensa e pronta
sobre as páginas em branco do resgate.

Foto de Vernon Trent


sexta-feira, 8 de abril de 2011












na água dos olhos é que se mata a sede da boca
se na boca os lábios já mataram as palavras  
como quem mordeu nas mãos a vontade de beber
e nos olhos amortalhou a fome de dizer.



sábado, 2 de abril de 2011













No tempo dos moinhos de vento o horizonte

era uma linha na ponta dos dedos.



domingo, 27 de fevereiro de 2011

O mundo


 é a nossa mão que o molda


o nosso olhar que o diminui


a nossa voz que o perturba


Resta-nos saborear as pedras e sentir o aroma das nuvens. 
E um dia as mãos sobre os olhos soltarão o grito da terra. 

Foto de Ana Oliveira

domingo, 24 de outubro de 2010


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Não se perdem os passos se nos levam para cima
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ainda que o caminho nos esconda a subida
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Fotos Google

terça-feira, 21 de setembro de 2010

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Procura-se 
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directa ou reflectida
esbatida ou gritante
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a cor
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de fogo aceso ou brasa mansa
laranja amarga  
figo maduro
campo de trigo
verde uva ou erva seca
e todo o azul que haja no mar

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Faz-me falta para pintar os dias e sossegar as noites.
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Foto Ana Oliveira
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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

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A solidão é um oásis no deserto dos afectos

tâmaras, água fresca, chão de sombra...

E à noite por tecto um ábaco de estrelas

conta desejos, divide enganos, soma sonhos...
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Foto Google

sábado, 7 de agosto de 2010

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Chagas Ramos - Artificio sobre o Tejo
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É sobre o rio que me vejo inteira e nua
debruçada sobre as pedras a lavar lençóis de mágoa
memórias desbotadas de gritos sem sentido
restos de sonhos que o tempo amarrotou.
É do rio que me vem com as marés
o cheiro a mar aberto a vento e chuva fria
que um dia me revolveu e encharcou
as asas com que já não sei voar como sabia.
É no rio que desaguo a raiva de ter sido
a ponte entre margens que não quis perder
perdulária do tempo da certeza 
e me encontro de novo e nova em mim.  
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sexta-feira, 16 de julho de 2010

RENDA...

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Renda de rosas
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Todas as rosas por florir estão, em semente, nas rosas que o tempo desmancha, o vento espalha e a terra engole.
Como tudo o que temos para sentir está, gravado a fogo, no que já olhámos, no que já dissemos, no que já perdemos.
No infinitamente grande como no infinitamente pequeno tudo e sempre se repete.
Sementes de sentimentos, afectos de flor, raízes de riso, pétalas de pranto.
Renda com que tecemos a gaze ténue que aconchega a carne viva e  vela a pálida imagem da felicidade. 
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Foto e impertinência Ana Oliveira
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sábado, 10 de abril de 2010




Quando mil passos nos deixam o corpo dorido, o caminho ainda pode ser um atalho florido.
Quando a esperança é o véu que nos cobre, continua a ser a renda que enfeita a espera.
Mesmo nas horas difíceis a beleza reconcilia a serenidade com o inevitável.

Foto Google

domingo, 7 de março de 2010

domingo, 28 de fevereiro de 2010

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Sabias do espectro da loucura, dos rios lamacentos e das pontes a ruir. Contavas pelos dedos dolorosos os desvios, os atalhos e os caminhos escusos. Sorrias ao deleite dos ramos no rosto, das fimbrias de luar nos ombros e dos passos macios na terra pura.
Dizias que o caminho se faz de olhos nus, de pés descalços e de coração a arder no peito aberto, que a cada batida do sangue nas veias o vento gritava o rasgar da carne e que o eco das palavras esquecidas cantava o encanto da procura.
Dizias e eu deixava...que tu e eu, tu a seguidora de trilhos abertos e eu a tropeçar em ramos mortos, somos o todo que me faz.
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Foto Ana Oliveira e Costa