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terça-feira, 9 de outubro de 2012








Esboço-me à janela e espero que a vida volte a passar





 do traço dos meus passos nem o rasto me ficou


sexta-feira, 21 de setembro de 2012





Não és tu a minha casa
nem o teu verbo derramado até às mãos
carentes de tecto

nem os teus olhos na anuência deleitosa
de seres outro eu
no quente papel do leito
no vago lençol de tinta
em que escreves uma história que não é tua.
A minha casa
são estas paredes vestidas de insónia
alinhavada a rufos de tambor e solos de violoncelo
que abrem na madrugada do meu silêncio
o medo da loucura atrás da porta.





quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

LUA CHEIA








A Pastora de estrelas adormeceu o rebanho e voltou 

Senhora das marés e do mistério

da fluidez das águas mansas, da raiva das tempestades,

do ciclo feminino que o uivo do lobo acorda

e à luz branca da noite

despem-se as mulheres para se oferecerem nuas

em banho ritual e lascivo aos charcos de luar.



Fotomontagem Ana Oliveira



domingo, 31 de outubro de 2010


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no charco luminoso dos dias
as pedras que mastigo lentamente
desenham circulos concêntricos
no reflexo de uma rosa que se perdeu
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as pétalas que o tempo varreu  perfumam de cor a luz
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terça-feira, 16 de março de 2010

O PÁSSARO E EU


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Era um pássaro
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sem plumagem colorida, beleza de trópicos ou de grades
antes cinza de neve ao anoitecer, geada em pedra a madrugar
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corpo impreciso de neblina, nas ondas de vento manso
embalava subidas pueris, deslizava quedas mortais
;
olhos cegos de sol menor, pintava formas inusitadas
em bordados de matiz, de terras por encontrar
:
cantou-me os sonhos na sombra das noites claras
sonhei por ele as flores dos jardins que nunca viu
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tomei-lhe as penas por vestido e as asas por abraço
somos dois mundos perdidos em rota de colisão
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era um pássaro
:
e eu
:
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Fotomontagem Ana Oliveira e Costa

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

NOITES BRANCAS


No charco da noite a lua corrói estrelas
Nos olhos vidrados que o sono abandonou
Desenha redes
pontes
muros brancos.
Pinta véus
jardins
bancos vazios.
É a hora de dizer amanhã e ainda é hoje...
... os dias nunca acabam quando devem.
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Fotomontagem Ana Oliveira