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domingo, 29 de setembro de 2013
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
sábado, 22 de setembro de 2012
Solta-me os cabelos, potros indomáveis
sem nenhuma melancolia,
sem encontros marcados,
sem cartas a responder.
Deixa-me o braço direito,
o mais ardente dos meus braços,
o mais azul,
o mais feito para voar.
Devolve-me o rosto de um verão
Sem a febre de tantos lábios,
Sem nenhum rumor de lágrimas
Nas pálpebras acesas.
Deixa-me só, vegetal e só,
correndo como rio de folhas
para a noite onde a mais bela aventura
se escreve exactamente sem nenhuma letra.
(Eugénio de Andrade)
Deixa-me o braço direito,
o mais ardente dos meus braços,
o mais azul,
o mais feito para voar.
Devolve-me o rosto de um verão
Sem a febre de tantos lábios,
Sem nenhum rumor de lágrimas
Nas pálpebras acesas.
Deixa-me só, vegetal e só,
correndo como rio de folhas
para a noite onde a mais bela aventura
se escreve exactamente sem nenhuma letra.
(Eugénio de Andrade)
Foto Net
terça-feira, 11 de setembro de 2012
ESTAR SÓ É ESTAR NO ÍNTIMO DO MUNDO
Por vezes cada objecto se ilumina
do que no passar é pausa íntima
entre sons minuciosos que inclinam
a atenção para uma cavidade mínima
E estar assim tão breve e tão profundo
como no silêncio de uma planta
é estar no fundo do tempo ou no seu ápice
ou na alvura de um sono que nos dá
a cintilante substância do sítio
O mundo inteiro assim cabe num limbo
e é como um eco límpido e uma folha de sombra
que no vagar ondeia entre minúsculas luzes
E é astro imediato de um lúcido sono
fluvial e um núbil eclipse
em que estar só é estar no íntimo do mundo
a atenção para uma cavidade mínima
E estar assim tão breve e tão profundo
como no silêncio de uma planta
é estar no fundo do tempo ou no seu ápice
ou na alvura de um sono que nos dá
a cintilante substância do sítio
O mundo inteiro assim cabe num limbo
e é como um eco límpido e uma folha de sombra
que no vagar ondeia entre minúsculas luzes
E é astro imediato de um lúcido sono
fluvial e um núbil eclipse
em que estar só é estar no íntimo do mundo
António Ramos Rosa in Poemas Inéditos
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
"Do lado mais perfeito do silêncio
seguro as palavras, ombro a ombro,
como um vício inexplicável.
Deixem-me refazer as noites
da inocência, para que a caligrafia
não apodreça nos meus dedos.
Um brilho oblíquo, escurece,
em meu olhar, um tempo diferido,
que condena e absolve qualquer erro."
Graça Pires in "não sabia que a noite podia incendiar-se nos meus olhos"
Imagem de Ana Oliveira
segunda-feira, 14 de março de 2011
terça-feira, 8 de março de 2011
Vejo a luz como não a via e não sei como
presença pura em actualidade viva
e tão pousadamente lenta e lisa
na sua duração tranquila e repousada
que nada mais requer que ser contemplada
como derramada fonte suave e sumptuosa
E por isso a palavra lateja no silêncio da pupila
para que a sua leitura consagre a nascente viva
em seu divino repouso de matéria transparente
que transcende todo o tumulto e todo o caos
e em harmonia e limpidez lava a agonia
de não sermos senão a deslumbrada sombra que a contempla
António Ramos Rosa in "O Alvor do Mundo"
Foto Ana Oliveira
domingo, 2 de janeiro de 2011
sábado, 6 de fevereiro de 2010
ROSA...
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"Pois é. Eu achava, pobre de mim, que era poetisa. Ainda não sabia que estava só a tirar apontamentos para o que havia de fazer mais tarde. A ganhar intimidade, cumplicidade com as palavras."
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Imaginação
:
A imaginação é magia e é arte
que nos faz inventar, sonhar e viajar.
Com imaginação podemos ir a Marte
ou ao centro da Terra, ou ao fundo do mar.
Com imaginação nunca estamos sozinhos.
A imaginação é um voo, um lugar
onde temos amigos, onde há outros caminhos
nos quais, sem te mexeres, podes ir passear.
Inventa uma cantiga, um poema, um desenho
um arco-íris, um rio por entre malmequeres;
esse lugar é teu, sem limite ou tamanho.
A esse teu lugar, só vai quem tu quiseres.
:
A imaginação é magia e é arte
que nos faz inventar, sonhar e viajar.
Com imaginação podemos ir a Marte
ou ao centro da Terra, ou ao fundo do mar.
Com imaginação nunca estamos sozinhos.
A imaginação é um voo, um lugar
onde temos amigos, onde há outros caminhos
nos quais, sem te mexeres, podes ir passear.
Inventa uma cantiga, um poema, um desenho
um arco-íris, um rio por entre malmequeres;
esse lugar é teu, sem limite ou tamanho.
A esse teu lugar, só vai quem tu quiseres.
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Rosa Lobato Faria - Autobiografia e poema.
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Impertinência Ana Oliveira e Costa
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
MANSIDÃO

Tela de Alice Belloto
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Mansidão
:
Quando me chamam, vou logo,
E não reajo. Disfarço.
E a cada ultraje, renasço
com as artérias em fogo.
:
Não falo o meu espanto.
Quando recuso, não digo.
(Conservo as vozes comigo
a elaborar o meu canto.)
:
E com maneiras discretas,
vou criando o movimento
que hei-de entregar, a seu tempo,
às minhas asas quietas.
:
Fernanda Botelho in "Távola Redonda".
:
antologia das mulheres-poetas portuguesas
selecção prefácio e notas de antónio salvado delfos.
Edições Delfos.
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Foto Ana Oliveira e Costa
domingo, 4 de outubro de 2009
O LUAR
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;O Luar Através dos Altos Ramos
:
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O luar através dos altos ramos,
O luar através dos altos ramos,
Dizem os poetas todos que ele é mais
Que o luar através dos altos ramos.
Mas para mim, que não sei o que penso,
O que o luar através dos altos ramos
É, além de ser
O luar através dos altos ramos,
É não ser mais
Que o luar através dos altos ramos.
;
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXXV" Heterónimo de Fernando Pessoa
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Fotos Google. Fotomontagem Ana Oliveira
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
NA TERRA DO SOL DA MEIA NOITE
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Flores de um jardim Finlandês.
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INSÓNIA
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Suporto bem os dias cinzentos. O céu está baixo,
sim, e a distância que me separa
daqueles que amo é como daqui à Oceania,
na origem do arco-íris, no tempo da juventude,
mas tal como roubaram o sobretudo a quem morre de frio,
ou a tábua de salvação ao náufrago que se afoga,
roubaram aos insones a chave da tenebrosa fortaleza,
de cujas altas torres se avista a terra,
mesmo na obscuridade, quando o planeta se afunda sob os gritos
de sofrimento. Há tempos, há muito tempo, uma fresca
mão pousava na minha testa. Uma voz dizia: Dorme!
Havia alguém.
:
Pentti Holappa(Finlândia, 1927)
:
Fotos cedidas por Raija Durão. Texto Google
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
sábado, 5 de setembro de 2009
BALOUÇO
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:A cavalo no gonzo do mundo
um sonhador brincava ao sim e ao não
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As chuvas de cores
emigravam para o país dos amores
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Bandos de flores
Bandos de flores
Flores de sim ..........Flores de não
:
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Facas no ar
Que lhe rasgam as carnes
Formam uma ponte
:
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Sim............Não
:
:
Cavalga o sonhador
Pássaros arlequins
cantam o sim..........cantam o não
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Gerardo Diego/ Espanha (1896-1987)
Gerardo Diego/ Espanha (1896-1987)
:
:
Foto Google
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
MARÉ DOS SENTIDOS
:Um abraço
:
:
Pelos teus braços sei o ritual do fogo
no corpo apetecendo,
a harmonia das mãos: aprisionado gozo
que percorre e desnuda as veredas
deste quente sentir.
Não repares se me comovo sobre o teu ombro.
Trago comigo o espanto
de ser possível olhar-te sem remorsos.
Diz-me se é um barco
o que vejo nos teus olhos
ou se, apenas, imagino que regressas.
...
:
:
In "Ortografia do Olhar", de Graça Pires, Editorial ÉTER, 1996.
:
:
Foto: Olhares, John Doe
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
COHEN POETA


My time
CCCCCCCCC
My time is running out
and still
I have not sung
the true song
the great song
CCCCCCCCCCC
I admit
that I seem
to have lost my courage
CCCCCCCCCCCC
a glance at the mirror
a glimpse into my heart
makes me want
to shut up forever
CCCCCCCCCCCCC
so why do you lean me here
Lord of my life
lean me at this table
in the midle of the night
wondering
how to be beautiful
CCCCCCCC
Fotos Google
quinta-feira, 9 de julho de 2009
POETA PINTOR
CCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCC
CCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCC
Reza
CCCCCCCCCCCCCCCCCCCCC
CCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCC
Um beijo
talvez não.
Apenas
uma reza
murmurada baixinho
ante os teus lábios.
CCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCC
CCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCC
Os pássaros
suspenderam o canto
E as árvores velhinhas
cobriram-se de flores
CCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCC
Saúl Dias
CCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCC
CCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCC
CCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCC
Saul Dias (1902-1983), pseudónimo de Júlio Maria dos Reis Pereira, irmão de José Régio, nasceu e faleceu em Vila do Conde. Frequentou a Faculdade de Engenharia e a Escola de Belas-Artes do Porto. Colaborou na revista Presença com poemas e desenhos. Conjugou as artes plásticas com a poesia.
Assinava os seus desenhos e pinturas com a rubrica Júlio, tendo ilustrado alguns dos textos de seu irmão.
CCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCC
Foto Google
quinta-feira, 2 de julho de 2009
PASARGADA

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Manuel Bandeira in "Bandeira a Vida Inteira"
Foto Google
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