sábado, 1 de janeiro de 2011

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Curvo-me para que me oiças ou para te ouvir melhor.
Se não me curvar vou fingir que não te ouvi. 
Se, de corpo direito, olhar o horizonte, sei que vou ignorar que estás aqui. 
Para além de ti e das tuas palavras amargas há uma estrada sem fim que me repete os passos, os erros e os acertos. 
Para além de ti o infinito é uma nuvem que me cobre do sol inclemente, me molha o corpo seco, me diz dos arcos-íris e dos colibris que me bebem o sangue  e o mel entre os lábios.
Curvo-me para que a tua mão de látego aceso me cobre cada gesto que vestes de seda. Para que os teus olhos de farpas coloridas me veja a nuca submissa. Para que as tuas palavras me escorram pelo corpo e deixem em meu lugar o charco do meu riso.
E se me estendes a mão é a minha mão fria que te devolve o gesto.
Curvo-me e ainda assim não me ouves nem sabes que te ouvi.

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Foto Google

10 comentários:

Nélia disse...

Amiga Ana

Que a criatividade e a inspiração sejam as sua fiéis companhias para o Novo Ano.
bjs
Nélia

Folhetim Cultural disse...

Olá feliz 2011! Parabéns pelo vosso blog!
Quero hoje que você possa conhecer o trabalho feito no Folhetim Cultural que é o blog pelo qual sou responsável este abaixo é o endereço:
informativofolhetimcultural.blogspot.com
ontem sábado 1º dia do ano, voltamos com as publicações.
Ás 9 horas da manhã minha coluna poética
Às 13 horas O Poeta entrevista quadro de entrevista
e ás 17 horas Chá das 5 onde um poeta colaborador escreve uma coluna poética. Ao longo da semana atualizações são feitas com noticiário cultural, espero que possa contar com seu apoio nessa empreitada e que possa opinar sobre o nosso trabalho agradeço a atenção lhe desejo um ano super!

Magno Oliveira
Folhetim Cultural

Ana Oliveira disse...

Nélia

Agradeço os votos e o mesmo lhe desejo para o Ano que começa.


Um beijo

Ana Oliveira disse...

Folhetim Cultural

Obrigada pela visita.

Visitarei o seu blog assim que puder.

Virgínia do Carmo disse...

E eu curvo os olhos à luz das palavras...

Um beijinho

Ana Oliveira disse...

Virginia

As palavras podem ser incandescentes e fazer-nos fugir o olhar ou cinzas frias que já não tememos...
Obrigada e um beijo

Anónimo disse...

Ana,

Bela poesia! E a imagem muito bem escolhida.

Qualquer dia quiçá em livro?...

Bjs.

Margarida M.

Ana Oliveira disse...

Margarida

Obrigada.

Livro? oh Guida nem tal ideia me ocorreu, isto são pensamentos esporádicos, alinhavados, que às vezes saem agradáveis, mais nada...de qualquer forma agradeço que possas considerar possível essa hipotese.

Beijinhos

Me Hate disse...

Que maneira... peculiar de começar o ano... hum...

Folhetim Cultural disse...

IREMOS AGUARDAR A VISITA!