segunda-feira, 17 de maio de 2010

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É uma velha locomotiva.
Já correu por belos caminhos, subidas difíceis, descidas perigosas. Abrandou, por vezes, para saborear a paisagem das margaridas na primavera, para se olhar no reflexo de rios mansos, para encher o ar frio de inverno com o bafo ardente da fornalha.
Hoje, num ramal abandonado, todas as estações lhe são memória, todas as linhas recordação.
Quando as máquinas novas a estremecem no seu passar de vento, sente ainda a nostalgia do ritmo das corridas, do balanço gingado das curvas, do grito das chegadas, da nuvem de fumo das partidas.
Sobram-lhe as horas cegas, as rodas perras e a vontade férrea de não morrer em pedaços que ninguém queira.
Chega-lhe a presença do velho maquinista que a vai polindo e oleando. E quando, com gavetos, lhe alimenta um fraco fogo que a faz tossir de satisfação, ainda orgulhosa se faz ouvir no ar parado dos desejos.
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Foto Google

5 comentários:

Fatima disse...

Quando olhei para a imagem, achei que o post era sobre o Outono na Alemanha. Lá ele tem realmente estas cores.

Quando li o post, percebi que a locomotiva era a da vida...

Um grande abraço Ana

Baby disse...

Quisera ser uma locomotiva velha, para que alguém me fizesse uma homenagem tão bela!

Beijos.

Maria Clarinda disse...

Maravilha de texto.Jhs mtos

© Piedade Araújo Sol disse...

Ana

achei o texto muito bonito, e comparo-o a certos episodios da nossa vida.

achei a foto lindissima.

meu parabéns!

um beij

Liliana disse...

A imagem á lindíssima. As palavras também o são.

Recordo com alguma nostalgia alguns passeios que dei de comboio, há muitos anos atrás...

Um beijo