
Há trinta e cinco anos atrás...ou:
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Era uma vez um livro, que recebi de presente de aniversário.
Li-o de um fôlego. Reli-o para saborear. Pouco depois perdeu-se na voracidade da mudança.
Podia falar de como me encantou a escrita, da descoberta de pequenos pormenores de uma cultura de que pouco conhecia, da surpresa de uma forma de olhar a natureza que me era estranha. Mas uma imagem permaneceu intacta, uma história continuou a ser a história que não esqueci - Um artista, pintor, criador de desenhos para Quimonos e Obis (cinto largo que fecha o quimono) retira-se para um mosteiro, procurando inspiração para os seus desenhos e coloridos, no recolhimento. Um pequeno apontamento que espelhava dois sentimentos que sempre me acompanharam, o de poder resumir-me às cores e ao silêncio.
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Recentemente, de passeio por Paço de Arcos, num domingo ao fim da tarde, olhando distraidamente uma montra com livros antigos, reencontrei-o. Quase escondido, quase a passar despercebido. Voltei para buscá-lo. Peguei-lhe com a sensação de que tinha recuado no tempo. A mesma edição...a mesma capa. Abri-o como se fosse encontrar a dedicatória escrita na primeira página. Voltei a ter vinte anos, ao tempo em que todas as palavras me sabiam a novas, em que as aspirações eram sombras ainda sem nome e um livro era o mundo nas mãos.
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E assim, antes e depois de "Chá e Amor", "A Dançarina de Izu" e de "Terra de Neve", "Kioto" de Yasunari Kawabata!
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Kioto de Yasunari Kawabata. Tradução de Virgílio Martinho. Capa de Lima de Freitas. Publicações Dom Quixote, Maio de 1969.
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Foto Google. Pintura de Ogata Gekko (1868-1912).