segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

MANSIDÃO


Tela de Alice Belloto
:
:
Mansidão
:
Quando me chamam, vou logo,
E não reajo. Disfarço.
E a cada ultraje, renasço
com as artérias em fogo.
:
Não falo o meu espanto.
Quando recuso, não digo.
(Conservo as vozes comigo
a elaborar o meu canto.)
:
E com maneiras discretas,
vou criando o movimento
que hei-de entregar, a seu tempo,
às minhas asas quietas.
:
Fernanda Botelho in "Távola Redonda".
:
antologia das mulheres-poetas portuguesas
selecção prefácio e notas de antónio salvado delfos.
Edições Delfos.
:
Foto Ana Oliveira e Costa

12 comentários:

Paula Raposo disse...

Um poema de imensa mansidão.
Adorei a pintura. Beijos.

partilha de silêncios disse...

Quanta desta mansidão carregamos !

É muito lindo este poema.

Tenha um ano muito feliz.

bj

simplesmenteeu disse...

As asas fecham os olhos - aquietam-se.
Tornam-se invisíveis... mas, nunca adormecem.
Simplesmente, esperam...

A suavidade que sabes sempre ver e escolher.


Beijos

© Piedade Araújo Sol disse...

gostei de ler e da imagem que colocou.

um beij

Liliana disse...

Muito bem conseguida a ligação entre o poema e a tela, Ana!
Um beijo

NAFTAMOR // Melhoral disse...

De mansinho passei, vou passando e apreciando
e gostando!!!

Um Beijo

Ana Oliveira disse...

Paula

É mesmo doce e mansa esta forma de espera...

A tela é de uma das minhas alunas mais antigas e que é já professora de pintura.

Um beijo

Ana

Ana Oliveira disse...

Partilha de silêncios

Verdade!

Por vezes deixamo-nos arrastar num manso estado de estar até à fuga para o grito.

Bom Ano é também o meu voto para ti.

Beijos

Ana

Ana Oliveira disse...

Simplesmenteeu

As asas...ou batem furiosamente, ou se aquietam no voo fácil...às vezes limitam-se a esperar o ar que lhes traga a vontade de voar.

Beijos

Ana

Ana Oliveira disse...

Piedade

Obrigada.

Um beijo

Ana

Ana Oliveira disse...

Liliana

às vezes as imagens chamam as palavras...às vezes são as palavras que nos levam à busca das imagens.

Obrigada

Um beijo

Ana

Ana Oliveira disse...

Naft

Sempre bem-vinda...mesmo que devagarinho e obrigada por gostares.

Beijos

Ana