domingo, 29 de setembro de 2013








"É aí, no mais íntimo, que nos apagamos, mas é também aí que o silêncio se incendeia, iluminando a realidade e unindo-nos a ela. É o nascimento de nós mesmos e o nascimento do mundo. Na suprema suavidade desta fusão, somos livres e unos, idênticos e puros. É aí que habita o silêncio primordial e é a partir daí que principia a metamorfose essencial da linguagem e do ser. A pulsação viva da palavra é o fruto desta permeabilidade à silenciosa matriz do corpo. O vocábulo novo, retemperado pela nascente, substituirá o rigor rígido do conceito pela fluidez e fugacidade de uma respiração. Na sua intrínseca transgressão a palavra conduzir-nos-á à nudez viva do silêncio, à transparência do ilimitado.
 
Mais Silêncio Mais Sombra
António Ramos Rosa


In JL — Jornal de Letras, Artes e Ideias, Lisboa, 14 Ago. 1990; reprod. in Prosas seguidas de Diálogos, Faro, 2011.
 
 
Foto net

9 comentários:

© Piedade Araújo Sol disse...

os nossos Poetas não morrem...

:)

Mar Arável disse...

Equilíbrio na assimetria

kris disse...

amiga...é sempre um prazer passar por aqui...

bjinho

Ana Oliveira disse...

Obrigada Kris

Beijinhos

Maré Viva disse...

Não há como negar a sabedoria contida nas palavras deste belo texto!
Parabéns pela sensibilidade com que o escolheu!

Beijos.

António Jesus Batalha disse...

Ao passar pela net encontrei seu blog, estive a ver e ler alguma postagens
é um bom blog, daqueles que gostamos de visitar, e ficar mais um pouco.
Eu também tenho um blog, Peregrino E servo, se desejar fazer uma visita
Ficarei radiante,mas se desejar seguir, saiba que sempre retribuo seguido
também o seu blog. Deixo os meus cumprimentos e saudações.
Sou António Batalha.

Maré Viva disse...

As palavras são eternas e sempre actuais!
Um beijo.

Lídia Borges disse...


A sabedoria de saber esperar a palavra mais nítida, mais pura...


Lídia

Ana Oliveira disse...

A espera que a mestria dos poetas nos torna mais leve mas segura,
obrigada Lidia

Ana