domingo, 15 de maio de 2011

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Abandono






Recomponho a melodia das roupas que despi
ensaio em breves e semi-breves
o ritmo que o chão ecoa sob as sedas
as cambraias o algodão doce
suave e triste do abandono
a nudez é uma sede de esperança
que se perdeu
e no regresso ao futuro
o rendilhado que o passado amassa
mói-me o presente como o trigo
que há-de ser pão ázimo
da fome que não escondo
.
a musica dos sentidos
é um céu turvo de pássaros que chegam
a anunciar uma primavera que não verei.


(foto recebida de Alice Campos. Um trabalho de Ricardo Paula)

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segunda-feira, 25 de abril de 2011




Sossegadamente segura e neutra
cinza de penumbra a lembrar a luz
assim os dias em que a alma se quer nua
e o coração já não aspira nem demite
nenhum sonho ou desejo
em livro de horas desusado
é a memória que se segue linha a linha
na ponta do dedo que a cegueira ordena
e a vontade sem vontade aceita
clara e lúcida assunção da vida
a olhar a cor por fora do vazio
mão que cerrada a cortina
repousa ainda tensa e pronta
sobre as páginas em branco do resgate.

Foto de Vernon Trent


sexta-feira, 22 de abril de 2011









"Do lado mais perfeito do silêncio
seguro as palavras, ombro a ombro,
como um vício inexplicável.
Deixem-me refazer as noites
da inocência, para que a caligrafia
não apodreça nos meus dedos.
Um brilho oblíquo, escurece,
em meu olhar, um tempo diferido,
que condena e absolve qualquer erro."




Graça Pires in "não sabia que a noite podia incendiar-se nos meus olhos"
Imagem de Ana Oliveira





terça-feira, 19 de abril de 2011



couves ornamentais






Em tempo de crise... juntar o útil ao agradável.


Fotos Google

sexta-feira, 8 de abril de 2011












na água dos olhos é que se mata a sede da boca
se na boca os lábios já mataram as palavras  
como quem mordeu nas mãos a vontade de beber
e nos olhos amortalhou a fome de dizer.



sábado, 2 de abril de 2011

sexta-feira, 11 de março de 2011



Lançamento do Livro "A Incidência da Luz" da escritora Graça Pires





Com os votos do maior sucesso.


terça-feira, 8 de março de 2011










Vejo a luz como não a via e não sei como
presença pura em actualidade viva
e tão pousadamente lenta e lisa
na sua duração tranquila e repousada
que nada mais requer que ser contemplada
como derramada fonte suave e sumptuosa
E por isso a palavra lateja no silêncio da pupila
para que  a sua leitura consagre a nascente viva
em seu divino repouso de matéria transparente
que transcende todo o tumulto e todo o caos
e em harmonia e limpidez lava a agonia
de não sermos senão a deslumbrada sombra que a contempla




António Ramos Rosa in "O Alvor do Mundo"


Foto Ana Oliveira

domingo, 6 de março de 2011

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Na água onde bebem os pássaros é que abro o voo, deito o murmúrio das asas mortas da noite

  e rasgo a negro e azul o traço breve de um nome que trago há tanto em mim e não conheço.

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Foto - Lavendar Water - Fractal Art de Vicky Brago-Mitchell

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sexta-feira, 4 de março de 2011

Myra Landau




"  A cor não se pensa. A cor sai e é igual ao Sol que se põe ao cair da tarde. Assim também a cor se põe sobre o papel ou sobre a tela. E quando pintares, esquece tudo o que alguma vez tenhas lido ou estudado."

“Si Sabes Ver”, De Myra Landau.


 Obra e Biografia no blog "EXPRESSO DA LINHA"

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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Mestre Rigoberto Huanchicay Barcos



























A Arte que pode ser visitada no Blog do Mestre




Fotos da página do facebook do autor



domingo, 27 de fevereiro de 2011

O mundo


 é a nossa mão que o molda


o nosso olhar que o diminui


a nossa voz que o perturba


Resta-nos saborear as pedras e sentir o aroma das nuvens. 
E um dia as mãos sobre os olhos soltarão o grito da terra. 

Foto de Ana Oliveira

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

LUA CHEIA








A Pastora de estrelas adormeceu o rebanho e voltou 

Senhora das marés e do mistério

da fluidez das águas mansas, da raiva das tempestades,

do ciclo feminino que o uivo do lobo acorda

e à luz branca da noite

despem-se as mulheres para se oferecerem nuas

em banho ritual e lascivo aos charcos de luar.



Fotomontagem Ana Oliveira



quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

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Esta musica que me algema à noite fresca e ao reflexo das luzes da cidade a silenciar lentamente no brilho pálido de um manto branco, nota a nota ecoa, livre e bela entre quatro paredes de silêncio, o meu silenciado estar. A minha espera de nada.
Foto Google
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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

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"Só se cansa do mar quem do mar só vê a água."
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Luís Cardoso in "Crónica de uma Travessia"
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Foto Google

sábado, 1 de janeiro de 2011

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Curvo-me para que me oiças ou para te ouvir melhor.
Se não me curvar vou fingir que não te ouvi. 
Se, de corpo direito, olhar o horizonte, sei que vou ignorar que estás aqui. 
Para além de ti e das tuas palavras amargas há uma estrada sem fim que me repete os passos, os erros e os acertos. 
Para além de ti o infinito é uma nuvem que me cobre do sol inclemente, me molha o corpo seco, me diz dos arcos-íris e dos colibris que me bebem o sangue  e o mel entre os lábios.
Curvo-me para que a tua mão de látego aceso me cobre cada gesto que vestes de seda. Para que os teus olhos de farpas coloridas me veja a nuca submissa. Para que as tuas palavras me escorram pelo corpo e deixem em meu lugar o charco do meu riso.
E se me estendes a mão é a minha mão fria que te devolve o gesto.
Curvo-me e ainda assim não me ouves nem sabes que te ouvi.

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Foto Google